Internações por doença de Alzheimer no Brasil
tendências temporais, distribuição demográfica e desigualdades regionais (2015-2024)
DOI:
https://doi.org/10.61695/rcs.v4i1.96Palavras-chave:
Doença de Alzheimer, hospitalizações, epidemiologia, estudos de séries temporais, Sistema Único de SaúdeResumo
A Doença de Alzheimer (DA) constitui a principal causa de demência no mundo e representa um crescente desafio para os sistemas de saúde, especialmente em contextos de envelhecimento populacional. Este estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico das internações por Doença de Alzheimer no Brasil entre 2015 e 2024, segundo sexo, faixa etária e macrorregião, bem como estimar a prevalência regional das internações. Trata-se de um estudo ecológico de séries temporais, baseado em dados secundários provenientes do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), acessados por meio do DATASUS. As taxas de prevalência foram calculadas a partir do número de internações por DA, utilizando como denominador as estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), expressas por 1.000.000 de habitantes. Os resultados evidenciaram tendência crescente das internações ao longo do período analisado, com redução expressiva em 2020, possivelmente associada à pandemia de COVID-19, seguida de retomada e pico em 2023. Observou-se predominância de internações em indivíduos com 80 anos ou mais e no sexo feminino. As regiões Sudeste e Sul apresentaram as maiores frequências e prevalências de internações, enquanto Norte e Nordeste registraram valores inferiores. Os achados reforçam o impacto progressivo da Doença de Alzheimer sobre o Sistema Único de Saúde e destacam a necessidade de políticas públicas voltadas ao envelhecimento saudável, ao diagnóstico precoce e à redução das desigualdades regionais na atenção à saúde.
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